Em pronunciamento na sessão desta quarta-feira (12) da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), a deputada Antônia Sales (MDB) falou sobre a situação de abandono vivida pelas comunidades ribeirinhas e rurais do estado. Após visitar diversas localidades, a parlamentar relatou as dificuldades enfrentadas pela população, incluindo a falta de infraestrutura, transporte, assistência médica e até mesmo acesso à água potável.
Durante seu discurso, a emedebista apresentou imagens de suas viagens pelo interior do estado, destacando a precariedade dos ramais, que se tornam intransitáveis durante o inverno, dificultando o escoamento da produção e o deslocamento das famílias. Segundo ela, muitos trabalhadores rurais levam horas – e, às vezes, o dia inteiro – para chegar até os pontos de transporte, enfrentando lama, atoleiros e falta de acessibilidade.
Um dos casos mencionados foi o da comunidade Tristeza, no Rio Liberdade, onde os moradores vivem em condições extremamente difíceis. O ribeirinho Orleir, entrevistado por Antônia Sales, expôs a realidade local: “Aqui falta tudo. Falta canoa, limpeza dos igarapés, dos rios, falta transporte, falta saúde. Terminou a campanha, tudo parou. Dizem que não tem dinheiro para gasolina, para pagar o barqueiro, e os barcos que a gente tem são pequenos e perigosos no rio cheio”, desabafou o morador.
Além da dificuldade no transporte fluvial, a deputada chamou atenção para a crise na saúde pública nessas comunidades. Segundo ela, muitas famílias passam anos sem atendimento médico adequado e, quando precisam de uma consulta, são obrigadas a percorrer longas distâncias até a cidade, sem qualquer tipo de suporte do poder público. “Esse povo está abandonado. Eles precisam de barcos para escoar sua produção, precisam da limpeza dos rios, precisam de médicos que cheguem até eles. E o mais básico: eles precisam de água”, destacou.
A parlamentar também criticou a falta de atuação das prefeituras e do governo do estado na melhoria dos ramais. Para ela, as promessas feitas em períodos eleitorais não podem ser esquecidas depois das eleições. “De nada adianta ir até essas comunidades na época de campanha, prometer melhorias e depois abandoná-las. Esse povo trabalha, luta para sobreviver e quer apenas dignidade”, disse.
Sobre os recursos destinados aos deputados estaduais, Antônia Sales comparou as emendas parlamentares da Aleac com os valores recebidos pelos parlamentares federais e senadores. “Temos apenas R$ 4 milhões em emendas, enquanto cada deputado federal e senador recebe R$ 90 milhões. São centavos milagrosos que precisamos dividir para ajudar muita gente”, ressaltou.
Finalizando sua fala, a deputada reforçou a necessidade de os representantes públicos estarem próximos das comunidades que defendem. “Nós, que representamos esses municípios, precisamos ir até eles, ouvir suas dores e buscar soluções reais. O povo merece muito mais do que promessas vazias”, concluiu.